Exposição de Comentários

antonioquintela                                   Agosto 31, 2017 at 1:42 pm

Compreendo a sua posição em relação ao actual poder autárquico, eu próprio, já tive vário projectos de urbanização e dos quais desisti, indo investir noutras localidades, pois estar à espera de qualquer parecer nesta autarquia é de tirar a paciência a um santo.

Relativamente às pretensões do meu amigo, deixe-me dizer-lhe que por um lado tem toda a razão em ver as suas pretensões resolvidas, mas por outro lado, tais pretensões, não podem ser concedidas a qualquer preço ou sobre qualquer pretexto. Como já constatou existem um conjunto de entidades que se trabalhassem bem seriam uma garantia para o interesse dos cidadãos.

Relativamente, ao interesse publico por si referido em relação à quinta do Raio X, recomendo a ler bem o que se enquadra em “interesse Publico”. A construção de um super-mercado, apesar de poder criar uns quantos postos de trabalho, penso que de forma alguma se poderá considerar de interesse público.

Penso que neste caso seria mais interesse privado e a rentabilização de um espaço que ao ser convertido para industrial traria mais valor acrescentado ao seu proprietário. Relativamente aos outros espaços que refere passa-se o mesmo. Contudo boa sorte para as suas aspirações.

António

Caro António:

Resposta

Agradeço a sua participação e creia que apreciei o seu comentário. No que diz respeito a ser considerado de “relevante interesse público”, a construção de um supermercado, tenho a acrescentar o seguinte:

– Não se deve de modo algum, de ver a construção de um supermercado isoladamente, ou seja, sem considerarmos também o seu contexto e o momento em que este se pretenda implementar.

– Nesta altura de pós recessão, de contenção e austeridade económica, em que o Concelho de Chaves, que de mal, passou a estar muito pior, no que respeita ao aspecto sócio-económico. Podemos pois considerar que, estamos numa guerra aberta, em que temos de enfrentar uma séria e profunda crise económica da qual só se poderá ganhar se incentivarmos todo e qualquer investimento que traga postos de trabalho. Neste caso o inimigo é a situação económica que devassa o país.

– Crise económica essa que está a devastar não só esta região, como todo o país em geral, estendendo-se também por essa Europa fora. Portanto, tem de haver um esforço colectivo de governação e de incentivação de investimentos, para se sair desta crise. Eu não quero sequer imaginar o resultado final, de quando se contabilizar os estragos familiares, sociais, económicos e políticos, que esta crise económica causou ao nosso país. Penso que levará gerações, para sanar as feridas profundas, provocadas no nosso tecido familiar e a quantidade de empresas que tiveram que fechar e lançar imensas pessoas para o desemprego, às revoadas.

– Como o meu caro António sabe tão bem quanto eu, a nossa juventude e a grande parte da nossa massa trabalhadora, entre os 18 e 40 anos, não tem na sua grande maioria, nem emprego, nem esperança de encontrar no futuro, um emprego estável. Emprego e oportunidades para que a nossa juventude possa progredir e trabalhar, bem como à massa trabalhadora, de encontrar trabalho, para garantir o sustento para si e para as suas próprias famílias.

– O resultado desta situação económica calamitosa, reflecte-se depois na emigração da nossa juventude e da nossa massa trabalhadora para o litoral do país e até mesmo para o estrangeiro. O bem mais precioso, a nossa juventude e a nossa massa trabalhadora, está pois a ser desbaratado por falta de condições e de investimento, que crie postos de trabalho, para as ajudar a fixar na terra de origem.

– A debandada da nossa gente jovem e activa para outras paragens, está definitivamente a desertificar o Concelho. A prova disso, está para quem o quiser ver, e se se der ao incómodo de andar por este Concelho fora a constactar o estado de abandono das nossas aldeias, povoações e lugarejos. Meu caro, isto é um facto incontestável e não é preciso ter nenhum curso superior, para ver com os seus próprios olhos a situação deplorável, que graça no nosso país sem solução à vista, ou mesmo a médio prazo.

– A consequência dessa desertificação, reflete-se sobretudo nos incêndios que todos os anos estão a devastar e a depauperar o nosso desgraçado país em valores incalculáveis. Não há quem trabalhe os campos, nem as florestas. Os que ficam, são só os velhos que já perderam a esperança de poderem sequer emigrar, devido à idade e falta de qualificações. O resultado é os nossos campos e florestas devotadas ao abandono total.

– Em face deste panorama económico catastrófico para o nosso país, qualquer investimento que traga a criação de postos de trabalho, deveria se acarinhado e dado prioridade, para além de todo o apoio que deveria ser dado pelas entidades governativas e administrativas de qualquer que seja a região ou Concelho onde este investimento teria pretenção de ser efectuado.

– Os postos de trabalho criados por um supermercado, neste caso de 140 postos directos e outros tantos indirectamente, incidem sobretudo naqueles que, por má sorte ou desventura na vida, não tiveram a oportunidade de poderem ter qualificações académicas, que os qualifiquem sequer mínimamente, para poderem emigrar em condições de competitividade, em concorrência com todos os outros emigrantes de outras nacionalidades, para onde quer que esses serviços sejam necessários.

– Posto isto, diga-me caro António, se um investimento de um supermercado, ou outro qualquer, que traga tantos postos de trabalho, não é de “relevante interesse público”, nas circunstâncias económicas actuais. O que lhe posso no entanto garantir, é de que o que me move sobretudo, é a possibilidade de rentabilizar o meu investimento para interesses e lucros pessoais. É também o que na verdade move todos os investidores em todas as atividades sócio-económicas, sejam elas comerciais, industriais ou agrícolas.

– Tudo passa a ser relativo consoante as circunstâncias. No entanto, o que lhe posso garantir é que um museu de pintura ou um museu de termas-piscinas romanas, nesta altura, não tem qualquer justificação ou fundamento prático, ou talvez mesmo nenhum, para o desenvolvimento económico e para que possa incentivar a fixação da nossa juventude ou massa trabalhadora. Noutras circunstâncias, de mais desafogo económico, investimentos em museus que enriqueçam a nossa cultura, seria um investimento extremamente imperioso e altamente louvável, de modo a preservar e perpectuar o nosso passado histórico sócio cultural.

Penso que tentei explicar, embora resumidamente, a razão porque é que um supermercado nesta altura, deva ser considerado de “relevante interesse público”. Espero ter conseguido esse objectivo. Peço no entanto as minhas desculpas por ainda não aparecer no Website os comentários de algumas pessoas que tiveram a amabilidade de participarem e estarem expostas no sítio próprio, mas a verdade como já disse algures no meu site, ainda estou a aprender como é que este “wordpress” trabalha. Razão pela qual lhe estou a responder directamente no seu email. Quando este problema já estiver resolvido, posso entretanto garantir, que os seus comentários serão cronologicamente, devidamente incorporados, tal como todos os outros comentários feitos até agora.

Manuel Belmonte

antonioquintela                   Agosto 31, 2017 at 11:40 pm

Não me vou alongar muito em comentar os seus pontos de vista, pois valem o que valem, assim como os meus também valem o que valem.
Contudo não concordo em nada em classificar a construção de um hipermercado como interesse publico, por várias razões das quais enumero 2 ou 3.
1º os hipermercados são as entidades empregadoras que mais exploram os trabalhadores, tanto em horas de trabalhos como em salários.
2º A quase totalidade dos empregados dos hipermercados são contratados por pequenos períodos de tempo, normalmente menos de um ano, e raras vezes renovam os contratos.
3º com a precariedade de trabalho não se fixa população numa localidade, logo as pessoas vão continuar a emigrar à procura de melhores condições.
4º hipermercados são ruinosos para a economia local, pois preferem importar do estrangeiro de que consumir os produtos da localidade
Conclusão: Empresas como hipermercados, numa cidade como Chaves que já possui em quantidade sobrante são uma péssima saída para o emprego em geral e para a economia da região em particular.
Fico por aqui em comentários relativamente a hipers.

Caro António:

Resposta

Como disse e muito bem, uma vez que estamos num país democrático, a sua opinião é tão válida, como outra qualquer.

Agradeço no entanto  o seu desejo de boa sorte para as minhas aspirações.
Manuel Belmonte

lamasjose@mail.telepac.pt            Agosto 20, 2017 at 4:35 pm     

Prezado

Li com atenção e interesse o seu manifesto de perplexidade e indignação, que partilho, sem contudo julgar inédito ou peculiar ao Município de Chaves a forma desajustada como exerce a sua intervenção política na gestão dos assuntos correntes e dos que granjeiam para o Município um maior desenvolvimento económico abrindo à iniciativa privada o recurso ao investimento.

Acontece na maioria dos Municípios. Muitos Concelhos incentivam a participação pública da população de cada freguesia aquando da revisão dos PDM’s (art.º 6º e 77º do Decreto Lei 46/2009), noutros Concelhos não é bem assim. Chaves por Exº? Claro. E não só!

No entanto, no poder ou na oposição um autarca só tem a ganhar se este instrumento vital para o ordenamento do território concelhio for o mais amplamente participado possível. Sem definição de objetivos de desenvolvimento não há PDM (art.º 84º e 86º, nº2, do Decreto Lei 46/2009).

Quais são os de Chaves? Os museus de pintura e piscinas romanas pouco garantem ou contribuem para o desenvolvimento do Município. São obras planeadas e executadas com incentivos do Plano 2020 e estas merecem a nossa satisfação sob o ponto de vista turístico e da preservação de património cultural. O que revela o impacto custo-benefício dessa iniciativa para o Município?

As fotos que o prezado bloguista, contestatário, nos mostra e que exprimem a dolorosa situação de muitas aldeias abandonadas e das suas gentes privadas do bem estar que merecem associando-as ao belíssimo ajuste com os mitológicos “Cemitérios dos Elefantes” despertaram-me uma semelhança apropriada com a “não vida” que grande parte dos nossos compatriotas vivem pelo País fora, sobretudo no interior. Interior este que afugenta a sua massa reprodutora de riqueza e lança para a observação dos céus os que viveram as suas vidas e aguardam resignados pelo adeus à sua terra.

Quero incutir no vosso espírito um reforço de grandeza e firmeza pelo interesse que demonstram pelo desenvolvimento e enriquecimento do Município onde residem e onde o querem transformar, através dos seus recursos pessoais, num Município chamador de muitos outros investidores que procuram um território que lhes seja favorável para investirem.

Um território chamado Chaves com a sua dezena e meia de freguesias. Este é o meu primeiro comentário ao vosso blog (ou Website..) pois outros virão depois de analisar melhor a documentação que a ele está associado. Os meus parabéns pela coragem que tiveram e tornar público um caso que me espantou pelo fato de ainda existirem autarcas com essa visão e princípios de gestão distantes dos nossos tempos. Há que requalificar o espaço urbano, a valorização ambiental do território, o apoio à dinamização da nossa economia local.

Rui